Dominante Auxiliar

O dominante auxiliar é o acorde que prepara um A.E.M. (acorde de empréstimo modal). Por exemplo: numa música cuja tonalidade é Dó maior, pode surgir o acorde Eb que é original da tonalidade de Dó menor, e para ele o dominante auxiliar é o acorde Bb7.

Em outra situação, também na tonalidade Dó maior, temos o aparecimento do acorde Bb7M tratando-se também de um A.E.M original da tonalidade de dó menor, porém com um detalhe, que sua 7M (sétima maior) provém da “escala de dó menor melódica”, pois da escala de dó menor “natural” seria apenas 7 (sétima menor), ou seja, o acorde seria Bb7, e não Bb7M. Para ambos (Bb7 e Bb7M) o dominante auxiliar é o acorde F7. Sobre este caso recomendo uma revisão em https://juarezbarcellos.com/2013/12/08/campo-harmonico/.

O acorde dominante auxiliar é formado a partir da nota que está quinta justa acima da fundamental do acorde alvo, seguindo a regra dos dominantes, exceto os dom. substitutos.

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12 opiniões sobre “Dominante Auxiliar

  1. Olá, Vicente.

    Realmente, tem um erro. Onde está escrito “original do tom lá menor” deveria estar escrito “original do tom dó menor”.
    Os acordes de empréstimos modais (A.E.M.) são “emprestados” do tom menor homônimo, ou seja, que tem o mesmo nome, mas modo diferente (dó maior e dó menor: mesmo nome: dó; e modos diferentes: maior e menor).
    É claro que Bb7M é o terceiro acorde de sol menor, porém no contexto acima ele é bVIIM de Dó menor. Ele é formado da junção do VIIm7(b5) da Escala Melódica com o bVII da Escala Menor Natural.

    Muito obrigado pela observação.
    Forte abraço.

  2. Dominante auxiliar, também chamada de secundária, não se restringe a enfatizar acordes de empréstimo. Na verdade, conforme Koellreutter e outros teóricos da Harmonia Tradicional e principalmente da Harmonia Funcional, as dominantes secundárias ou auxiliares podem ser usadas em relação a qualquer acorde maior ou menor do campo harmônico, e podem inclusive se concatenar: uma dominante secundária em relação a um acorde que é dominante secundária em relação a outro e assim por diante (como é costume no jazz). Para dar um exemplo simples, em Dó Maior, pode-se enfatizar o acorde de dominante G7 precedendo-o de um acorde do tipo D7, que é alterado em relação a Dó Maior (mas não causa modulação, pois é muito passageiro), e que é a dominante de G, portanto, assim é enfatizado o acorde G, que no caso, tem a sétima de dominante, G7 — esse D7 que vem logo antes do G7 é chamado “dominante da dominante”. E esse acorde D7 , auxiliar, também pode ser precedido do A7 (que é a sua dominante auxiliar), e esse A7 também pode ser precedido do E7, e assim por diante, conforme o esquema harmônico da música permitir. E todas essas dominantes auxiliares ou secundárias podem ser alteradas ou usar acréscimos e substituições (por exemplo, no formato subV), também. A maior parte da música de jazz se concentra em encadeamentos de dominantes sobre dominantes, assim como a maior parte da música barroca, de 300 anos atrás! No jazz, porém, são usadas sempre muitas alterações, acréscimos e substituições nos acordes, o que, se por um lado enfraquece um pouco a tonalidade e o senso de “repouso” que se esperaria em alguma cadência, por outro lado, dá à música um movimento e energia incomparáveis.

    • Obrigado pela participação, Carlos.
      Existem várias linguagens na aplicação da harmonia, eu escolhi para dar base às minhas publicações, os Manuscritos do Yan Guest, seguido por Almir Chediak, que fortaleceu uma padronização da linguagem brasileira para utilização das cifras, dentre outros autores brasileiros, e tive acesso também ao material da Musiart, apostila de repertório da UNICAMP, além das teorias de Gioseffo Zarlino, Jean-Philippe Rameau e Hugo Riemann, este último parece ter definido mais claramente o assunto.

      O que chamei de “Dominante Auxiliar” no pequeno texto desta postagem não se trata de um sinônimo de “Dominante Secundário”, mas sim de tipo específico de dominante que trata da preparação para os A.E.M., conforme descreve o “Manuscrito do 1º semestre Yan Guest”, na sua página 56. Ele distingue em cinco tipos de dominantes. Mas há tendência de algumas vertentes em enquadrar tudo no mesmo pacote dos Dominante Secundário para simplificar o estudo, o que é bom também.

      Outra vez, obrigado;
      Um forte abraço.

  3. Agora, obviamente, isso que expus antes é apenas uma opinião, pois não se trata de uma questão musical de fato, mas apenas de nomenclatura. E, na verdade, o melhor nome, para esse tipo de acorde que faz o papel de dominante de outro acorde que não o da tônica, é “dominante individual” (como usa Kollreutter em sua Teoria da Harmonia Funcional). Se a dominante individual/auxiliar/secundária é em relação a um acorde X do próprio campo harmônico, ou em relação a um acorde Y de empréstimo, não é relevante, pois esse acorde, X ou Y, sim, é que é importante, e não o outro, que faz o papel de dominante para enfatizá-lo, e que, assim, é “secundário” ou “auxiliar”, mesmo. Isto é, nossa referência não é o acorde auxiliar ou secundário de dominante, mas o acorde central ou principal, seja ele próprio do campo harmônico ou não, ao qual se refere a dominante “subordinada a ele”. Portanto, basta dizer “dominante individual do acorde X”, ou “dominante individual do acorde Y” (que é de empréstimo modal). Mais do que isso, ou seja, querer fazer distinção entre dominante auxiliar e dominante secundária, parece a mim um excesso classificatório, artificial e desnecessário. Mas respeito a nomenclatura diferente que outros possam usar, mesmo porque o que importa mesmo é a música, e não os nomes que damos aos seus elementos!

  4. Bb7M é original do modo C Mixoídio.
    Escala de C maior:
    C-D-E-F-G-A-B-
    Escala de C menor:
    (Narual)
    C-D-Eb-F-G-Ab-Bb
    Harmônica
    C-D-Eb-F-G-Ab-B
    Melódica
    C-D-Eb-F-G-A-B

    Nenhumas dessas escalas eu posso formar o Bb7M.
    Mas a escala de C Mixolidio temos as notas:
    C-D-E-F‐G-A-Bb-C
    Agora eu tenho o modo em que foi gerada.

    1– 2–3—4—5—-6–‐7
    Bb-C–D–E– -F—G—A-‐-Bb

    1—-3–‐-5–7M
    Bb–D—-F—-A (Bb7M)

    • Ótimo, Fábio!

      Apenas acrescento que dó mixolídio, nada mais é do que a escala de Fá maior. Mas o exemplo acima não se trata de um acorde do modo dó mixolídio, ou o IV7M da escala de Fá, mas é realmente um acorde de empréstimo modal, portanto, oriundo da escala de Dó menor. Ele é o acorde bVII7M da escala de Dó menor, porém, com um detalhe, o intervalo de 7M é proveniente da “escala de dó menor melódica”, porque o sétimo grau da escala de dó menor “natural, gera o acorde BbVII7 (sétima menor). De toda forma, eu reconheço que poderia ter colocado um exemplo mais claro, e vou fazer isso.

      Muito obrigado por participar.
      Um forte abraço!

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