Tosse com engasgo noturno

Juarez Barcellos - Jaqueira

Em meados de Fevereiro deste ano (2013) fui surpreendido por um sintoma noturno assustador que me levou a passar sete noites com medo de morrer. Inicialmente era só tosse causada por pigarro, mas rapidamente se transformou em engasgo assustador; passei a dormir sentado em cadeira e beber muita água, pois ela fazia descer da minha garganta alguma substância que causava tosse e, consequentemente, o engasgo. Numa noite fiquei tão tenso tentando controlar a tosse e o engasgo, que o medo de desmaiar passou a ser outra preocupação. Consultei-me com seis médicos, tomei xaropes de carbocisteína, maleato de dexclorfeniramina+betametasona, fiz nebulização, usei Decadrom injetável, fiz raio x dos pulmões , eletrocardiograma e ecocardiograma, assim descobri que tenho a válvula aorta bicúspide, mas isso não vem ao caso.

Dos seis médicos, três me recomendaram procurar um otorrino, e um deles diagnosticou doença do refluxo, aconselhou-me a consultar um gastroenterologista e alegou não poder receitar nenhum medicamento, pois naquele momento eu não estava em crise. Consultei-me com um gastro, ele me receitou omeprazou  (doze dupla|80mg/dia) depois de minha forte insistência e de afirmar que um clínico geral havia diagnosticado doença do refluxo, pois o mesmo afirmava que não eram sintomas de tal doença, então ele me encaminhou para um otorrinolaringologista e pediu uma endoscopia. Eu já estava tomando omeprazou há dois dias receitado por outro médico que confiou no diagnóstico dado pelo clínico, porém ainda não era a doze certa para o tratamento (doze dupla).

O otorrino afirmou imediatamente que eram sintomas de doença do refluxo (DRGE), mandou permanecer com com o omeprazol em doze dupla durante trinta dias, no mínimo, falou sobre a dieta que eu já estava fazendo, recomendou levantar um pouco a cabeceira da cama, fez uma vídeo laringoscopia, porém não teve boa visualização; então pediu uma tomografia computadorizada, pois a tosse fortíssima poderia ter causado algum dano. Nessa consulta tive a percepção de estar diante de um profissional competente, tanto pela capacidade técnica, quanto pela humildade de não subestimar o paciente, que, nos dias atuais, tem diante de si uma ferramenta de pesquisa extremamente democrática e riquíssima, que é a internet.

Concluindo: após uma semana fazendo uso do omeprazol em doze dupla (80 mg/dia, 40 pela manhã e 40 a tarde), não tive mais crise; tomei esta doze durante sessenta dias e estou a sessenta dias usando a 40 mg/dia (20 mg pela manhã e 20 mg a tarde). Mudei a forma de me alimentar, passei a fazer pequenas refeições a cada três horas  e não me deito antes de duas horas após ter feito uma refeição. Emagreci oito quilos em dois meses e ainda estou quatro quilos acima da minha média, todavia, posso desenvolver meus projetos em paz. 

Atualização em 09/08/2013: depois dos sessenta dias com 80mg (40 pela manhã e 40 a tarde) e noventa com 40mg (20 pela manhã e 20 a tarde), passeia usar somente 20mg a tarde. Não tive mais crise e estou muito bem.

Graças a Deus! Um agradecimento especial à minha esposa Érica por ter cuidado de mim!

Este relato é acessado todos os dias, por isso, decidi anexar parte de um estudo científico sobre o assunto para dar maior esclarecimento ao leitor. Leia atentamente:

DOENÇA DO REFLUXO GASTROESOFÁGICO: revisão ampliada 

Ary NASI1, Joaquim Prado P. de MORAES-FILHO2 e Ivan CECCONELLO1  (p. 4 do arq. e 337 da obra)

Há tendência em tratar os pacientes com diagnóstico de esofagite com IBP*, em dose plena*, por 6 a 12 semanas. Alguns autores propõem administração de dose dobrada (o dobro da dose plena) para as esofagites de maior gravidade (graus III e IV de Savary-Miller ou C e D de Los Angeles).”

* IBP, sigla para Inibidores da bomba protônica (Omeprazol, Lansoprazol, Pantoprazol, Rabeprazol e Esomeprazol).

* IBP Dose plena diária: Omeprazol 40 mg // Pantoprazol 40 mg (quadro 2, p 4). Para ambos, a dose dobrada é 80 mg por dia. em duas tomadas, manhã e tarde,

“Em estudo baseado em revisão sistemática de literatura, todos os IBP foram melhores que a ranitidina e o placebo na cicatrização da esofagite.” 

“A história natural da DRGE ainda não é bem compreendida. De fato, embora os sintomas sejam crônicos e muitas vezes recorrentes, usualmente a esofagite não progride com o passar do tempo. Assim, apenas pequena proporção (menos de 15% dos pacientes sem esofagite ou com esofagite leve) progride para graus mais avançados da doença. Vale salientar que cerca de 80% dos pacientes com DRGE apresentam recidiva dos sintomas nos seis primeiros meses de interrupção do tratamento  medicamentoso. Nos casos em que é requerido o tratamento de manutenção, este deve ser feito utilizando-se IBP, empregando-se a dose mínima eficaz para controle dos sintomas.”

“O grande problema com o tratamento clínico da DRGE não é controlar os sintomas, mas sim manter os pacientes assintomáticos a longo prazo.”

“Visa o alívio dos sintomas, a cicatrização das lesões e a prevenção de recidivas e complicações. Do ponto de vista prático, objetiva-se reduzir o potencial agressivo do conteúdo gástrico, minimizando a agressão representada pelo ácido clorídrico do suco gástrico. Pode-se classificar a abordagem terapêutica em medidas comportamentais e farmacológicas, que deverão ser implementadas simultaneamente.” 

QUADRO 1 – Medidas comportamentais no tratamento da DRGE:

• Elevação da cabeceira da cama (15 cm).
• Moderar a ingestão dos seguintes alimentos, na dependência da correlação com os sintomas: gordurosos, cítricos, café, bebidas alcoólicas, bebidas gasosas, menta, hortelã, produtos de tomate, chocolate.
• Cuidados especiais para medicamentos potencialmente “de risco”: anticolinérgicos, teofilina, antidepressivos tricíclicos, bloqueadores de canais de cálcio, agonistas beta adrenégicos, alendronato.
• Evitar deitar-se nas 2 horas após as refeições.
• Evitar refeições copiosas.
• Redução drástica ou cessação do fumo.
• Reduzir o peso corporal (emagrecimento).

v. 43 – no.4 – out./dez. 2006 Arq Gastroenterol p.337 – Disciplinas de 1 Cirurgia do Aparelho Digestivo e Coloproctologia e 2 Gastroenterologia Clínica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

Felicidade a todos, espero que tenha contribuído.

Visite também:  http://drauziovarella.com.br/   http://www.abcdasaude.com.br/    http://saudedigestiva.blogspot.com.br/

Leia também o relato da Isabel Amaro sobre a “tosse coqueluche”. Destaco em seu relato as três fases da doença e o fato de ser contagiosa:


Veja a postagem original (4 de junho de 2013) com mais de duzentos comentários: https://juarezbarcellos.wordpress.com/2013/06/04/tosse-com-engasgo-noturno/
Leia também o relato da Isabel Amaro sobre a “tosse coqueluche”. Destaco em seu relato as três fases da doença e o fato de ser contagiosa:

2 opiniões sobre “Tosse com engasgo noturno

  1. Olá Juarez,

    Tudo bem? Há dois que anos que tento tratar tosse noturna com falta de ar algumas vezes, sem engasgo, mas semelhante ao seu relato. Já passei por inúmeros médicos, pneumologistas, alergologistas e gastro com diagnósticos variando entre refluxo, alergia e até mesmo asma. Fiz diferentes tratamentos e cheguei a ter melhora com medicação para alergia, mas agora sinto que não está fazendo o mesmo efeito. Decidi escrever para saber se os resultados do tratamento para refluxo que você relatou em 2013 perduraram ou se os sintomas em algum momento voltaram e você precisou fazer novo tratamento.

    Atc
    José

    • Olá, José!
      Tudo ótimo, graças a Deus!
      E você, como vai?

      Eu fiz o tratamento de forma correta, diminuindo a medicação de acordo com a orientação. E depois que terminei o tratamento, não tive mais refluxo.
      Estou muito bem. Espero que você esteja também.
      Felicidades!

Obrigado pela visita!

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