As relações entre economia, tecnologia e desenvolvimento humano na Idade Moderna e na Idade Contemporânea

Fatos e dificuldades predominantes nas relações humanas, a verdade no “pós-verdade”, a pós-modernidade e suas consequências

Antropologia, Ética e Cultura

O início da Idade Moderna, nos século 15 e 16, chamado de Renascimento, destaca-se pela retomada do humanismo (o homem como centro), fazendo com que a ralação entre governo e sociedade tomem novos horizontes. A ideia de valores humanos começam a tomar consciência coletiva ao passo que a queda do Império Romano faz enfraquecer conceitos impostos durante a Idade Média no tocante aos aspectos da relação do ser humano com Deus e com o sistema dogmático religioso.


Na Idade Moderna a igreja e a ciência enfrentaram dificuldades para ajustar suas visões diferentes de vida humana, tendo a ciência uma busca por avanços tecnológicos para o bem do ser humano, inclusive na sua saúde, enquanto a igreja buscava o fortalecimento da mensagem de submissão do homem a Deus e nos seus representantes eclesiásticos. Ainda na Idade Moderna, houve uma valorização das produções científicas e culturais.


Com a queda do feudalismo a burguesia passa a ocupar um papel de crescimento na Idade Moderna. A expansão do comércio desestrutura o sistema feudal e a busca por enriquecimento passa a se concentrar nos esforços burgueses de ampliação de seus lucros comerciais estabelecidos nas cidades.

O significado de burguesia na Idade Moderna se diferencia do significado na Idade Média porque os burgos, detentores de cidadania com seus privilégios sociais, políticos e econômicos, eram também submissos à nobreza feudal, porém, esses mesmos burgos excluíram a nobreza das funções públicas e passaram a dominar a relações sistemáticas das cidades.

Esse novo sistema burgues moderno passou a crescer juntamente com o capitalismo. Então, todas as relações de valor científico, tecnológico e cultural produzidas na Idade Moderna crescem regidas pelo novo modelo econômico, ou seja, pela burguesia moderna.

Dentro do processo de enfraquecimento do poder da igreja nas relações humanas na idade moderna, destaca-se como fato importante a Reforma Protestante ocorrida no século 16 colocando diversos questionamentos relacionados à representatividade divina impostas pelos líderes eclesiásticos e da relação, principalmente financeira, deles com a população. A Reforma Protestante teve como principal representante o monge alemão Martinho Lutero, que publicou 95 teses voltadas para a crítica à venda de indulgências (perdão divino) praticada pela igreja.

Os parâmetros da ciência moderna foram consolidados por René Descartes, filósofo matemático francês dos séculos 16 e 17, e por Isaac Newton, físico, astrônomo e matemático inglês que viveu nos séculos 17 e 18, e que foi o descobridor dos segredos da gravidade.


No século 18 aconteceu a Revolução Industrial, com a substituição da mão de obra humana pelas máquinas industriais, aconteceu também o movimento intelectual europeu chamado Iluminismo com o apoio da burguesia com interesses comuns entre pensadores e burgueses, que eram o de promover mudanças políticas, econômicas e sociais, baseadas nos ideais de liberdade, igualdade e fraternidade. No mesmo século aconteceu a criação do Estado moderno com base nesses conceitos democráticos.

Os conceitos liberais “penso logo existo” e “ter define o ser”, estabelecidos ainda na Modernidade, somados aos ideais democráticos de liberdade, igualdade e fraternidade estabelecidos no mundo ocidental na transição para a Contemporaneidade, opõem-se aos sistemas de governos absolutistas que se fortaleceram no pós feudalismo burgues e no enfraquecimento da igreja no período histórico chamado Modernidade (1453-1789).

Na Idade contemporânea, com os ideais democráticos em fortalecimento, destacam-se na ciência: a psicologia, com Freud descobrindo o inconsciente humano; a sociologia, analisando a sociedade no pós Revolução Industrial; e a antropologia, analisando o choque entre as culturas após a colonização da América.

Na Idade Contemporânea surgiu o imperialismo econômico e o forte investimento em potencial militar, paralelamente com o surgimento do nacionalismos e dos movimentos coletivistas como o comunismo e o anarquismo. Também na Contemporaneidade se buscam caminhos para a solidificação da organização social. Ocorre ainda que o ser humano se torna cada vez mais individual na busca por um espaço no mundo da competição por ter melhor poder aquisitivo, tendo em vista que o ter é fundamental para o homem bem sucedido na Modernidade.

A competitividade acontece também entre grupos sociais, cidades, estados, países, regiões, ou seja, sempre há concorrência entre indivíduos, grupos ou sociedades. A concorrência se dá pela melhor oportunidade, seja para vender produtos, serviços, projetos, etc., ou também para comprar com melhores condições, pois o que se compra também pode ser transformado e vendido com valores agregados.

A Declaração Universal dos Direitos Humanos, feita em 1948, é um documento marcante da Idade Contemporânea. Ele propõe a universalização do entendimento de ser humano e o respeito às diferenças diversas existentes no contexto das relações humanas. Ela é declarada após duas guerras mundiais ocorridas no século 20 (1914-1918 e 1939-1945). Com base nos direitos humanos surgem diversos conflitos no século 20 confrontando antigos conceitos que a sociedades não tratavam, ou ignoravam.


A economia no século 20, a partir de 1989, cria a globalização fazendo uma relação mundial do capital financeiro. Junta-se à globalização o desenvolvimento das tecnologias de informação e comunicação (TIC) facilitando as relações financeiras internacionais e as relações humanas, consequentemente, por meio das redes sociais, dos aplicativos, sites, blogs, etc.

Na Contemporaneidade Pós-moderna, ou “modernidade líquida”, o tratamento da verdade sofre um processo de manipulação da informação na internet, tal como acontece no rádio e na televisão, de onde surge o termo “pós-verdade”, com referência ao fenômeno da verdade na qual se acredita (acredito, logo é verdade), ainda que não seja verdade, de fato. Nesse sentido, a pós-verdade se firma na relativização da verdade, na banalizando de dados e capacidade de envolvimento emocional.

As notícias falsas (Fake News), as verdades alternativas e as mentiras enquadram-se no conceito de pós-verdade. Embora a ideia de verdade segundo o interesse não seja novidade, o meio pelo qual ela é explorada atualmente faz com que pareça ser um fenômeno novo.

O enfoque sobre as pessoas assimilarem conteúdos a partir de um processo de memorização e percepção seletivas, de acordo com seu repertório de convicções, está presente nas teorias de comunicação que buscaram, no século passado, desvendar os caminhos da persuasão. MEDEIROS, 2017, p. 23.

As consequências são diversas em todo esse contexto de “fake news” e “pós-verdade”, ou simplesmente mentiras, podendo influenciar dramaticamente no cotidiano de uma pessoa, de uma família, grupos sociais e até mesmo de lideranças de países contribuindo para um perigo global. Então, cabe a cada indivíduo refletir muito antes de publicar notícias falsas e de acreditar na informação por conveniência. Porém aí está umas das grandes dificuldades de todos os tempos, propor a todos a busca da verdade pelos fatos.

Apresentar convicções com base em desinformações pode ser compreensível, mas oferece riscos. Quando ninguém acredita mais que exista uma verdade, ou algo aproximado, quando o que vale é simplesmente acreditar na sua própria razão, parece que a verdade está sendo abolida ou expulsa da convivência social. MEDEIROS, 2007, p. 25.

As consequências sociais deste contexto são inquietantes. Na política, o enfraquecimento da noção e do valor da verdade é um perigo para a sociedade. O roteiro previsível aponta para o acirramento da intolerância e para o estímulo ao totalitarismo. MEDEIROS, 2007, p. 25.

REFERÊNCIAS


CASTRO, DANIEL SANTOS DE. Isaac Newton. Infoescola. Disponível em: https://www.infoescola.com/biografias/isaac-newton/. Acesso em 26 de março de 2020.
FRAZÃO, DILVA. Isaac Newton. Ebiografia. Disponível em https://www.ebiografia.com/isaac_newton/. Acesso em 26 de março de 2020.
MEDEIROS, ARMANDO. A era da pós-verdade: realidade versus percepção. Os perigos da indiferença à verdade. Pág. 23-25. Revista Uno. Mattavelli Gráfica e Editora. São Paulo, março 2017. http://www.revista-uno.com.br.
PEDROSO, CRISTINA CINTO ARAÚJO. ROCHA, JULIANA CARDOSO DE MELO – Língua brasileira de sinais. Batatais, SP : Claretiano, 2013.
PORFÍRIO, FRANCISCO. “René Descartes”; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/biografia/rene-descartes.htm. Acesso em 26 de março de 2020.
SAIONETI, LEANDRO. Revista Superinteressante. Editora Abril. O que foi a Reforma Protestante? 2018. Disponível em: https://super.abril.com.br/mundo-estranho/o-que-foi-a-reforma-protestante/. Acesso em 26 de março de 2020.

SÓ HISTÓRIA. O Iluminismo – Pensadores e características. Virtuous Tecnologia da Informação, 2009-2020. Disponível em
http://www.sohistoria.com.br/resumos/iluminismo.php. Acesso em 26 de março de 2020.
WIKIPÉDIA, A enciclopédia Livre. Burguesia. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Burguesia. Acesso em 26 de março de 2020.
ZARZALEJOS, JOSÉ ANTONIO. A era da pós-verdade: realidade versus percepção. Comunicação, Jornalismo e “fact-checking”. Pág. 11-13. Revista Uno. Mattavelli Gráfica e Editora. São Paulo, março 2017. http://www.revista-uno.com.br.

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